Perguntas Frequentes

O que são os Coronavírus?

Os coronavírus pertencem à família Coronaviridae que integra vírus que podem causar infecção no Homem, noutros mamíferos (por exemplo nos morcegos, camelos) e nas aves. Até à data, são conhecidos oito coronavírus que infectam e podem causar doença no ser humano. Normalmente, estas infecções afectam o sistema respiratório, podendo ser semelhantes às constipações comuns ou evoluir para uma doença mais grave, como a pneumonia. Dos coronavírus que infectam o ser humano, o SARS-CoV, o MERS-CoV e o SARS-CoV-2 saltaram a barreira das espécies, ou seja, estes vírus foram transmitidos ao ser humano a partir de um animal reservatório ou hospedeiro desses vírus. O SARS-CoV originou uma epidemia em 2002-2003 e o MERS-CoV emergiu em 2012 e foi causando casos esporádicos de doença respiratória nos seres humanos. O novo coronavírus, o SARS-CoV-2, que origina a doença designada COVID-19, foi identificado pela primeira vez em Dezembro de 2019, na China.

2. O que é COVID-19?

COVID-19 (Coronavirus Disease) é o nome da doença infecciosa causada pelo SARS-CoV-2  e significa Doença por Coronavírus, fazendo referência ao ano em que foi descoberta, em 2019.

3. Quais sãos os sinais e sintomas da COVID-19?

Os sinais e sintomas da COVID-19 variam em gravidade, desde a ausência de sintomas (sendo assintomáticos) até febre (temperatura ≥ 38.0oC), tosse, dor de garganta, cansaço e dores musculares e, nos casos mais graves, pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicémia, choque séptico e eventual morte.

Os dados mostram que o agravamento da condição clínica pode ocorrer rapidamente, geralmente durante a segunda semana da doença. 

Recentemente, foi também verificada a anosmia (perda do olfacto) e em alguns casos a perda do paladar, como sintoma da COVID-19.

4. Os sintomas de COVID-19 são diferentes nas crianças e nos adultos?

Não. Os sintomas de COVID-19 são semelhantes nas crianças e nos adultos. As crianças mostram, de uma forma geral, sintomas mais ligeiros e parecem registar, em proporção, menos casos de doença. Os sintomas relatados em crianças são inicialmente idênticos às constipações, como febre, corrimento nasal e tosse. Nalguns casos, foram também reportados vómitos e diarreia. Há muito mais a aprender sobre como a doença afecta as crianças e estão em curso investigações nesse sentido.

5. As pessoas que têm a doença ficam imunes?

De acordo com a evidência científica disponível até ao momento, ainda não é possível confirmar se as pessoas infectadas com o SARS-CoV-2 desenvolvem imunidade protectora. O organismo humano pode ir ganhando anticorpos após a infecção e desenvolvimento da doença.

6. A COVID-19 é o mesmo que gripe?

Não. Embora os vírus que causam a COVID-19 e a gripe sejam transmitidos de pessoa para pessoa e possam causar sintomas semelhantes, os dois vírus são muito diferentes e não se comportam da mesma maneira.

A doença COVID-19 é causada por um novo vírus que se designa SARS-CoV-2 e a gripe é causada pelo vírus influenza que circula na população há muitos anos. Ao contrário da gripe, para a COVID-19 a população mundial não apresenta qualquer tipo de anticorpos protectores ou imunidade. Desta forma, toda a população é susceptível à doença. Enquanto que para a gripe existe uma vacina e antivirais específicos para o tratamento, para a COVID-19 ainda se encontram em desenvolvimento.

7. Como se transmite o SARS-CoV-2?

O novo coronavírus transmite-se de pessoa-a-pessoa por contacto próximo com pessoas infectadas (transmissão directa), ou através do contacto com superfícies e objectos contaminados (transmissão indirecta).

A transmissão por contacto próximo ocorre principalmente através de gotículas que contêm partículas virais que são libertadas pelo nariz ou boca de pessoas infectadas, quando tossem ou espirram, e que podem atingir directamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo.

As gotículas podem depositar-se nos objectos ou superfícies que rodeiam a pessoa infectada e, desta forma, infectar outras pessoas quando tocam com as mãos nestes objectos ou superfícies, tocando depois seus olhos, nariz ou boca.

Existem também evidências sugerindo que a transmissão pode ocorrer de uma pessoa infectada cerca de dois dias antes de manifestar sintomas.

8. Qual é o período de incubação da COVID-19?

O “período de incubação” representa o tempo decorrido desde a exposição ao vírus até ao aparecimento de sintomas da doença. Estima-se que o período de incubação da COVID-19 varia de 2 a 14 dias (média entre 5 e 6). Estas estimativas são actualizadas a medida que mais dados ficam disponíveis.

A pessoa pode transmitir a infecção cerca de um a dois dias antes do aparecimento dos sintomas, no entanto, a pessoa é mais infecciosa durante o período em que apresenta sintomas, mesmo que os sintomas sejam leves e muito inespecíficos.

Estima-se que o período infeccioso dure de 7 a 12 dias em casos moderados e até duas semanas, em média, em casos graves.

9. É possível que o vírus causador da COVID-19 seja transmitido pelo ar?

O SARS-CoV-2 é transmitido pelo ar através de gotículas quando uma pessoa infectada fala, tosse ou espirra e estudos recentes mostram que o SARS-CoV-2 pode manter-se viável em aerossóis, no ar, por um período máximo de 3 horas.

10. O SARS-CoV-2 pode ser transmitido através das fezes?

O risco de transmissão por SARS-Cov-2 a partir das fezes de uma pessoa infectada parece ser reduzido. Embora esta seja uma via de excreção do vírus, não parece ser uma via preferêncial de transmissão.

11. O SARS-CoV-2 pode ser transmitido através de alimentos, incluindo refrigerados e congelados?

Embora não haja evidência que suporte a transmissão do SARS-CoV-2 pelos alimentos, é recomendado reforçar as medidas de higiene e segurança alimentar durante a manipulação, preparação e confeção dos alimentos, dentre as quais:

  • Lavagem frequente e prolongada das mãos (com água e sabão ou cinza durante 20 a 40 segundos), seguida de secagem das mãos ao ar livre ou com lencinho de papel descartável;
  • Higienização adequada das bancadas de trabalho e das mesas com detergentes de uso caseiro (exemplo, lixívia ou javel);
  • Evitar a contaminação entre comida crua e cozinhada;
  • Evitar partilhar comida ou objectos entre pessoas durante a sua preparação, confeção e consumo.

12. Quanto tempo o vírus persiste numa superfície?

O vírus pode sobreviver em superfícies durante horas ou até dias, se estas superfícies não forem limpas e desinfectadas com frequência.

O tempo que o vírus persiste nas superfícies pode variar sob diferentes condições (por exemplo, tipo de superfície, temperatura ou humidade no ambiente e a carga viral inicial que originou a exposição). Estudos recentes mostram que o SARS-CoV-2 se pode manter viável em superfícies como plástico ou metal por um período máximo de cerca de 72 horas e em aerossóis por um período máximo de 3 horas. Em superfícies mais porosas como cartão, o SARS-CoV-2 pode manter-se viável por um período de 24h.

Nas casas e nos espaços públicos a frequência de limpeza e desinfecção deve ser aumentada, para evitar acúmulo de vírus nas superfícies.

13. Qual é a probabilidade de eu contrair o SARS-CoV-2?

O vírus não tem nacionalidade, idade ou género, por isso todos corremos o mesmo risco de contrair o SARS-CoV-2. Porém, o risco torna-se menor com o cumprimento das medidas de prevenção, a lavagem frequente das mãos, o distanciamento físico de no mínimo 1,5 m das outras pessoas, o uso da máscara de protecção em locais aglomerados, a etiqueta da tosse, entre outras.

14. Quem está em risco de desenvolver doença grave por COVID-19?

Os grupos de Risco para doença grave por COVID-19 são:

  • Pessoas idosas;
  • Pessoas com doenças crónicas – doença cardíaca, pulmonar, cancro, hipertensão arterial, diabetes mellitus, entre outras;
  • Pessoas com o sistema imunológico comprometidos (a fazer tratamentos de quimioterapia, tratamentos para doenças auto-imunes (artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla, infecção por HIV e SIDA)

15. Qual é a percentagem de doença ligeira e grave por COVID-19?

80% dos casos de COVID-19 apresentam doença assintomática (sem sintomas) e ligeira, isto é, sintomas leves, nomeadamente, febre, rinorreia (corrimento nasal), cefaleia (dor de cabeça) e mialgia (dor no corpo).

Apenas 15% dos casos apresentam um quadro grave, como pneumonia, dificuldade respiratória, com necessidade de internamento e 5% podem eventualmente precisar de cuidados intensivos com necessidade de ventilação.

A maioria dos óbitos são verificados nas pessoas mais idosas e com outras comorbidades (outras doenças crónicas).

16. Qual é o tratamento da COVID-19?

O tratamento para a infecção pelo novo coronavírus é sintomático, ou seja, trata-se os sinais e sintomas que os doentes apresentam com o objectivo de proporcionar alívio e maior conforto aos doentes.

Encontram-se actualmente em investigação, alguns fármacos ou medicamentos apontados como potenciais candidatos ao tratamento.

17. Os antibióticos são efectivos na prevenção ou tratamento da COVID-19?

Não. Os antibióticos servem para combater as bactérias, não tendo efeito contra vírus. A COVID-19 é causada por um vírus, o SARS-CoV-2, e, como tal, os antibióticos não são efectivos na prevenção ou tratamento. O uso indevido e sem indicação médica de antibióticos poderá contribuir para o aumento das resistências a antimicrobianos (antibióticos) com efeito negativo para a saúde individual e colectiva.

18. Existe uma vacina, medicamento ou tratamento para a COVID-19?

Não. Actualmente não existe vacina, medicamento ou tratamento específico para o SARS-CoV-2. Tratando-se de um vírus recentemente identificado, estão em curso investigações em diversos países para o desenvolvimento de uma vacina e medicamentos com eficácia comprovada e que respeitem os requisitos necessários de segurança.

19. Existe algo que eu não deveria fazer?

Algumas atitudes NÃO são eficazes contra a COVID-19 e podem ser prejudiciais ao organismo:

  • Fumar;
  • Consumir bebidas alcoólicas; 
  • Usar várias máscaras em simultâneo;
  • Fazer auto-medicação, por exemplo tomar antibióticos.

De qualquer forma, se tiver febre, tosse ou dificuldade para respirar, procure cuidados médicos com antecedência, entrando em contacto com as autoridades de saúde pelos contactos disponíveis, para reduzir o risco de desenvolver uma infecção mais grave.

20. Qual é a diferença entre epidemia e pandemia?

Uma epidemia corresponde ao aumento considerável do número de casos de determinada doença, em várias regiões ou países, num determinado período de tempo.

Uma pandemia é a disseminação mundial de uma doença, que se espalhou por diferentes continentes, afectando geralmente um grande número de pessoas, com transmissão sustentada e na comunidade. Na maioria das vezes está associada a uma grande disrupção social e coloca sobre enorme pressão os serviços de saúde a nível global.

21. O que quer dizer “transmissão comunitária”?

Transmissão comunitária significa que o vírus circula na comunidade sem que seja possível identificar a origem de todas as cadeias de transmissão.

22. Como é que as pessoas podem ajudar a acabar com o estigma relacionado com a COVID-19?

As pessoas podem combater o estigma e ajudar outras pessoas, fornecendo-lhes suporte social e emocional, fazendo chamadas, enviando mensagens a familiares e amigos com COVID-19 e provendo apoio na realização das actividades essenciais como fazer compras e deixar a porta de casa.

O combate ao estigma pode ser feito através da aprendizagem e da partilha de factos sobre a COVID-19. Quanto mais informação oficial e verdadeira for partilhada, menor a probabilidade de circulação de notícias falsas que podem disseminar o medo.

Deve ensinar-se às pessoas, o facto de que os vírus não têm como alvos grupos raciais ou étnicos específicos, bem como o modo de transmissão da COVID-19.