Perguntas mais frequentes: Vacina COVID-19

1. O que é vacina?

Vacina é um produto biológico usado para gerar resposta imunológica específica contra um agente infeccioso. Esta resposta imunológica específica consiste em anticorpos e células, que conferem protecção ao indivíduo vacinado.

2. O que é vacinação?

No contexto actual da pandemia, a vacinação constitui uma medida complementar para a prevenção da COVID-19, pois confere uma protecção parcial. Por isso as medidas de prevenção não-farmacológicas como o uso de máscaras, a lavagem das mãos, a desinfecção e o distanciamento físico deverão ser mantidas.

3. Como são desenvolvidas as vacinas para o uso em seres humanos?

A introdução de uma vacina em programas de vacinação é antecedida de um processo rigoroso de desenvolvimento clínico. Assim, a segurança e a eficácia de uma vacina são documentadas em milhares de pessoas antes da sua adopção em programas de vacinação.

Fases de desenvolvimento de uma vacina

A eficácia de uma vacina é medida em ensaios clínicos de Fase 3. A eficácia é avaliada em relação a vários desfechos, incluindo: i) aquisição da infecção por SARS-CoV-2; ii) prevenção da transmissão do SARS-CoV-2; iii) doença sintomática; iv) doença ligeira; v) doença moderada; vi) doença grave; vii) hospitalização; viii) morte.

4. Qual é o principal objectivo da vacinação contra a COVID-19?

Na fase actual da pandemia, o principal objectivo da vacinação é:

  • proteger contra doença grave, hospitalização e morte que é fundamental para redução da morbi-mortalidade, alívio da pressão do Sistema Nacional de Saúde e também permitirá uma transição ao novo normal mais segura. Em fases subsequentes, a vacinação terá também como objectivo a criação de imunidade de grupo.

No entanto, a eficácia da vacina para prevenção da transmissão ainda não está disponível e por isso, as outras medidas de prevenção como o uso de máscaras, a lavagem das mãos, a desinfecção e o distanciamento físico deverão ser mantidas.

5. Como é que as vacinas se tornam disponíveis em Moçambique?

Moçambique adquire as vacinas contra a COVID-19 através de três mecanismos principais:

Mecanismo COVAX – iniciativa internacional que visa acelerar o acesso equitativo às vacinas apropriadas, seguras e eficazes para países de renda média e baixa, incluindo Moçambique. Através deste mecanismo, Moçambique vai beneficiar do acesso inicial e gratuito de vacinas para cobrir cerca de 6.2 milhões de pessoas, o que corresponde a 20% da população geral. Através deste mecanismo já chegaram ao país 384 mil doses da vacina Covishield.

Mecanismo African Vaccine Acquisition Task Team (AVATT) da União Africana, uma plataforma de suporte à estratégia de vacinação para África, propondo-se a vacinar 60% de toda a população do continente.Interacções bilaterais junto a países produtores de vacinas. Através deste mecanismo já chegaram ao país 200 mil doses da “SARS-CoV-2 Vaccine (Vero Cell), Inactivated” vindas da China e 100 mil doses da vacina “Covishield” vindas da Índia.

6. Quais são os critérios de selecção das vacinas usados por Moçambique?

Para garantir que seja adquirida vacina segura e eficaz e, portanto, com menor risco para a população moçambicana, o Governo de Moçambique adopta os seguintes critérios para selecção e aprovação da vacina contra a Covid-19 no país:

  • Ser preferencialmente pré-qualificada pela OMS ou recomendada pelo Grupo Consultivo Estratégico de Peritos da OMS (SAGE) de vacinação;
  • Ter estabilidade térmica das condições de distribuição e armazenamento na cadeia de frio existente no Sistema Nacional de Saúde (2 a 8 graus celsius);
  • Ter uma eficácia superior a 60% para prevenir a hospitalização e morte.
  • Ter um perfil de segurança aceitável para o contexto moçambicano.

7. Quantas pessoas serão vacinadas em Moçambique?

Moçambique tem uma população de 30.832.244 habitantes e pretende vacinar um total de 16.825.333 pessoas (maiores de 15 anos de idade), o que corresponde a 54,6% da população total.

Não havendo dados de eficácia e segurança em grupos específicos da população, excluem-se desse processo de vacinação as crianças < 15 anos e mulheres grávidas e/ou a amamentar. Estes grupos poderão ser vacinados a posterior, logo que seja produzida a evidência científica de segurança e eficácia.

8. Como foram definidos os grupos prioritários para a vacinação?

A prioridade foi definida seguindo os mais elevados princípios de equidade e ética com vista a garantir que os grupos mais vulneráveis tenham acesso a vacinação o mais breve possível. O processo de priorização baseou-se nos dados disponíveis no país e critérios de priorização faseada dos grupos elegíveis, normas internacionais da Organização Mundial da Saúde e recomendação da Comissão Técnico Científica para a Prevenção e Resposta a COVID-19. Os critérios utilizados são: i) quantidade de vacina disponível ou alocada a cada fase ou grupo específico, ii) grupos profissionais de risco, iii) perfil epidemiológico, iv) vulnerabilidade à doença grave, v) permanência em locais ou ambientes onde a implementação de medidas de prevenção é difícil e vi) aspectos logísticos e operacionais.

Foram definidas quatro fases de implementação da campanha de vacinação contra a COVID-19 tomando em consideração que as doses de vacina doadas ou adquiridas pelo país estarão disponíveis de modo faseado.

9. Onde irá decorrer a campanha de vacinação contra a COVID-19?

De modo a assegurar a abrangência dos serviços de vacinação contra a COVID-19, serão usadas duas abordagens principais, nomeadamente:

  • vacinação em postos fixos (PF), as unidades sanitárias e
  • vacinação através de brigadas móveis a serem posicionadas em lugares estratégicos para uma melhor cobertura, tais como escolas, pavilhões e outros locais.

10. Quais os grupos prioritários para a vacinação?

1ª Fase da campanha de vacinação: Profissionais de saúde

Período: 08 de Março a 01 de Abril

  • Nome da vacina: Vacina SARS-CoV-2 (Vero Cell), Inactivada, produzida pela Sinopharm/CNBG (China)
  • Características da vacina: Vacina de vírus SARS-CoV-2 inactivado. Formulada a partir de vírus inoculado em células Vero e subsequente inactivação química, concentração e purificação. Contém excipientes e adjuvante de alumínio.
  • Conservação: O armazenamento e transporte devem ser realizados em condições de refrigeração (2 a 8oC).
  • Administração: A vacina é administrada em duas doses. O intervalo entre as doses é de 21 dias. A administração é feita por injecção intramuscular na parte superior do braço.
  • Reacções Adversas: Nos ensaios clínicos até agora conduzidos não foram verificadas reacções adversas sérias relacionadas com a vacina.
  • Eficácia: A vacina SARS-CoV-2 Vaccine (Vero Cell) Inactivada, tem a seguinte eficácia: 79.3% para prevenir doença sintomática e 100% contra a doença grave e morte.

2ª Fase da campanha de vacinação: Estudantes finalistas de cursos de formação em Saúde; Doentes diabébitos > 18 anos;Doentes em terapia imunossupressora; Doentes com induficiência renal crónica em hemodiálise ou lista de espera; Doentes com insuficiência respiratória crónica; Doentes com insuficiência cardíaca crónica; População residente em centros de acomodação; Reclusos e funcionários prisionais; Forças de Defesa e Segurança > 18 anos; Professores do ensino primário > 50 anos e Jornalistas.

Período: Em curso desde o dia19 de Abril.

  • Nome da vacina: Covishield, produzida pela farmacêutica Serum Institute da Índia.
  • Características da vacina: A vacina utiliza um adenovírus de chimpanzé modificado, denominado ChAdOx1, como vector viral não-replicante. O adenovírus é um vírus causador da gripe comum, que é geneticamente modificado para expressar os genes da proteína Spike (proteína S) do novo coronavírus.
  • Conservação: O armazenamento e transporte devem ser realizados em condições de refrigeração (2 a 8oC).
  • Administração: A vacina é administrada em duas doses. O intervalo entre as doses é de 8 a 12 semanas. A administração é feita por injecção intramuscular na parte superior do braço.
  • Reacções Adversas: Nos ensaios clínicos até agora conduzidos não foram verificadas reacções adversas sérias relacionadas com a vacina.
  • Eficácia: A vacina Covishieldtem a seguinte eficácia: 63.1% a 77.6% para prevenir doença sintomática, e uma eficácia de 100% para prevenir doença grave e morte.

11. Que reacções adversas podem ocorrer após a administração da vacina?

As seguintes reacções adversas podem ocorrer após a administração da vacina:

  1. a)  Muito frequentes: dor no local da injecção.
  2. b)  Frequentes: febre transitória, fadiga, cefaleia, diarreia; rubor, inchaço, prurido, endurecimento no local da injecção.
  3. c)  Não frequentes: lesão cutânea no local da injecção, náuseas e vómitos, prurido em local distante do local da injecção, dor muscular, dor das articulações, vertigens.

12. A vacina contra a COVID-19 pode causar infertilidade?

Isto é Falso. As vacinas têm como propósito proteger as pessoas contra as doenças e são consideradas um dos produtos biológicos mais seguros. Antes da sua aprovação para uso em humanos elas passam por várias etapas de testes para garantir que são seguras. Por outro lado, não existe na composição das vacinas nenhuma substância com potencial para causar infertilidade. Por isso, é falso que a vacina contra a COVID-19 pode causar infertilidade.

13. A vacina contra a COVID-19 pode causar alterações a informação genética (ADN) dos indivíduos que a recebem?

Isto é Falso. As vacinas protegem as pessoas contra as doenças porque elas treinam o nosso sistema de defesa para reconhecer o agente infeccioso. Assim, quando temos um contacto ou exposição ao vírus, o nosso sistema de defesa consegue rapidamente neutralizar e destruí-lo.

Actualmente, há 4 diferentes tipos de vacinas contra COVID-19.

  1. Vacinas baseadas em vírus inactivado que é um vírus morto.
  2. Vacinas baseadas em sub-unidade proteica que contêm na sua composição uma pequena parte do vírus
  3. Vacinas baseadas em DNA
  4. Vacinas baseadas em moléculas de RNA mensageiro.

Estas duas últimas vacinas contêm na sua composição a informação genética para produção de pedaços dos vírus no nosso organismo.

Nenhuma destas vacinas pode alterar a informação genética das nossas células, primeiro porque a nossa informação genética está armazenada e bem protegida num compartimento da célula chamado núcleo e nenhuma das vacinas consegue penetrar o núcleo da célula. Deste modo, não há possibilidade alguma de interacção entre as vacinas e a nossa informação genética.

Em segundo lugar, as vacinas passam por vários testes primeiro em laboratório, depois em animais e finalmente em humanos para avaliar a sua segurança. Assim, cientificamente as vacinas contra a COVID-19 não podem causar nenhuma alteração da informação genética das nossas células

14. Depois de receber a vacina contra a COVID-19 não é necessário o cumprimento das medidas de prevenção (uso de máscara, lavagem das mãos, distanciamento).

Isto é Falso. As vacinas são uma medida complementar para a prevenção e controlo da COVID-19, por isso todas as pessoas vacinadas devem continuar a cumprir rigorosamente todas as medidas de prevenção da COVID-19, pelas seguintes razões:

Primeiro – Nesta fase da pandemia, o objetivo principal das vacinas é proteger contra doença grave, hospitalização e morte e ainda não há evidência científica consolidada sobre a sua eficácia para prevenir transmissão. Os ensaios clínicos nesta fase foram desenhados para avaliar a eficácia na prevenção de sintomas da COVID-19 e não a transmissão do vírus. Estes estudos também mostraram que as pessoas vacinadas ainda podem ficar infectadas, mas não desenvolvem as formas graves da doença.

Segundo – A disponibilidade da vacina contra a COVID-19 a nível mundial ainda é muito limitada e por isso por vários meses ou anos, ainda teremos um número importante de pessoas não vacinadas e em risco de doença grave caso sejam infectadas.

Terceiro – Actualmente, as pessoas com menos de 15 ou 18 anos dependendo da vacina e as mulheres grávidas não podem receber a vacina contra COVID-19 e dependem do cumprimento rigoroso das medidas de prevenção por todos para se manterem protegidas.

15. Quem já teve COVID-19 pode tomar Vacina?

Isto é Verdade. Quando as pessoas são infectadas pelo novo Coronavírus, o sistema de defesa é activado, gerando uma resposta imune que as protege contra futuras infecções. No entanto, as pessoas que já tiveram COVID-19 podem tomar a vacina pelas seguintes razões:

Primeiro, ainda não se conhece a duração da proteção que as pessoas desenvolvem depois de uma infecção e por isso tomar a vacina poderá fortalecer a sua capacidade de resposta .

Segundo, os estudos clínicos demonstraram que é seguro uma pessoas que teve COVID-19 tomar a vacina.

Terceiro, devido a circulação de várias variantes ao mesmo tempo, o risco de re-infecção é maior e por isso tomar a vacina pode ajudar a reduzir o risco de re-infecção.

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